
“A importância do fim de semana para
o Homo bossalis”
Fim
de semana, sol maravilhoso, parque do Ibirapuera lotado, crianças,
esportistas, bicicletas, cachorros, sorvete, água de coco,
futebol, pipoqueiro, sorveteiro, show, carros demais, tudo excessivamente
lotado e, nessa muvuca, tive um insight, ou seja, aquela iluminação
súbita que abriu minha terceira visão, transcendi.
A informação veio totalmente decodificada e a mensagem
cósmica era clara como essa luz que nos ilumina: “A
importância do fim de semana para o Homo bossalis”.
Homo bossalis deriva da linguagem popular boçal, estúpido,
enfim, o indivíduo que não consegue andar e falar
ao celular ao mesmo tempo, pois se fizer esses dois movimentos
simultaneamente vai morder a língua ou tropeçar.
Homo bossalis é o resultado “involutivo” do
Homo sapiens. É o idiota que só pensa em Sexo, Tempo
e Dinheiro. Possui 10 pares de sapato quando só tem 2 pés,
adora amuletos, procura uma religião para se “enturmar”,
tem pavor de ficar sozinho, adora fofoca, fila, convenções,
dogmas, rituais, santo, ídolos, adora torcer para um time,
considera bacana agredir-se tatuando o próprio corpo ou
colocando piercing; adora fazer filhos irresponsavelmente, só
pensa em ter coisas, promove guerras, adora seguir o fluxo...
No banheiro do Homo bossalis encontramos as seguintes recomendações:
“Não urinar fora do vaso”; “Após
usar o vaso, puxe a descarga”; “Não jogar papel
higiênico dentro do vaso sanitário” e, mesmo
com todos esses avisos ele literalmente emporcalha o recinto.
Identifica-se o seu restaurante quando existe o aviso “Visite
nossa cozinha”.
Graças ao Homo bossalis continuamos poluindo o ar, as águas,
desmatando, estamos depredando todo o ecossistema com a vã
ilusão de que estamos melhorando as nossas vidas. Se você
não consegue perceber toda essa depredação,
se você não percebe essa falência, parabéns!
Você se tornou um Homo bossalis. Essa cultura criou uma
superpopulação sem utilidade, sem proposta, sem
causa, todos correndo atrás de Sexo, Tempo e Dinheiro.
Sabe-se que a unanimidade é burra...
Segundo a teoria criacionista, o universo foi criado em sete dias,
de domingo a sábado. O Homo bossalis foi criado no sexto
dia. O sexto dia é a... sexta-feira. Espera aí...
Sexta-feira é o dia mundial da cerveja! Cá entre
nós: o que se pode esperar de uma cultura criada na sexta-feira?
Estava tudo maravilhosamente pronto... É isso aí,
fomos criados para contemplar, ou melhor, para realizar!
A realização é o compromisso que você
assumiu para ganhar esse presente que é a VIDA. Observe
na sexta-feira as pessoas no trânsito, no ônibus,
metrô, avião, trem, lotação, todos
estão felizes, pois vem aí o fim de semana! 98%
da nossa cultura que trabalha, adora fim de semana, se for feriado
prolongado... Vira festa. Adoramos férias e estamos sempre
em busca da nossa tão sonhada aposentadoria.
E sabe por que? Porque 98% da população trabalha
fazendo o que não gosta para sobreviver, por isso tornou-se
uma cultura de Homo bossalis infeliz, e uma cultura infeliz se
auto-agride e o meio é o efeito. Essa agressão começou
na Revolução Agrícola, pois todos, sem exceção,
foram obrigados a trabalhar para comer. Hoje, 10 mil anos depois,
continuamos trabalhando para comer, e mal.
Na Revolução Industrial acentuou-se a agressão
e agravou-se na Revolução Cibernética. Evolução
é natural, Revolução é imposta. Revolução
traz DOR, perda e sofrimento. Na Revolução agrícola,
lavraDOR. Revolução Industrial, operaDOR. Para acordar
o trabalhaDOR, despertaDOR. Agora, o pilar da Revolução
Cibernética é o computaDOR.
Você está trabalhando ou Realizando? O que você
faz hoje tem relevância? Já se pegou no fim do ano
olhando o calendário, agenda, folhinha, só para
saber quantos feriados prolongados vai ter no ano vindouro? A
cultura Homo bassalis está infeliz!
15 segundos para pensar, só pensar... O que o leitor faria
se ganhasse Um Milhão de Dólares nesse instante?
Isso mesmo, Um Milhão de Dólares... Pensou? Pois
bem, se não aplicou esse dinheiro naquilo que está
fazendo hoje, você é infeliz e trabalha. Carrega
consigo a Síndrome do Vazio Interior, ou seja, aquela sensação
de que está sempre faltando alguma coisa. Você ganha
dinheiro, mas não preenche, troca de carro, troca de esposa
(marido), muda de casa, faz turismo, compra um iate, faz filho
e ainda assim a sensação continua... Está
faltando alguma coisa. Oportunamente as igrejas tentam preencher
esse vazio com Deus, as empresas com o consumo, mas a única
forma de eliminar a Síndrome do Vazio Interior é
a Realização.
Nossa cultura está tão infeliz que já é
possível mensurar a sua infelicidade. Podemos medi-la pelo
volume dos bolões das loterias, pelo crescimento vertiginoso
de adeptos em religiões e pela altura dos muros e das grades
nas residências... É premente a Reciclagem de Hábitos,
Atitudes e Valores. Pois, uma cultura infeliz se auto-agride e
o meio é o efeito.
Não adianta abraçarmos as nascentes, os rios ou
as represas, pois o planeta é um organismo vivo e por si
só se regenera. É ineficaz o assistencialismo, o
paternalismo ou doações para instituições
como “desencargo de consciência”, pois o problema
está no Homo bossalis, enquanto não reciclarmos
nossos Hábitos, Atitudes e Valores, continuaremos poluindo
e agredindo a humanidade. Precisamos “Acalmar o Racional
para REALIZAR”, pois é a única forma de evoluirmos
de Homo bossalis para Homo sapiens.
Ao tentar pela terceira vez passar pela porta giratória
do banco, tive um insight, ou seja, aquela iluminação
súbita que abriu minha terceira visão, transcendi.
A informação veio totalmente decodificada e a mensagem
cósmica era clara como essa luz que nos ilumina: “Acalmar
o Racional”.
O leitor sabe acalmar o Racional? Assunto para o próximo
artigo.
Artigo publicado na Revista Vencer, edição 86 pág
34 a 36 – Nov/2006.